quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Para viver um grande amor...




"Para viver um grande amor, preciso
É muita concentração e muito siso
Muita seriedade e pouco riso
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, mister
É ser um homem de uma só mulher
Pois ser de muitas - poxa! - é pra quem quer
Nem tem nenhum valor
Para viver um grande amor, primeiro
É preciso sagrar-se cavalheiro
E ser de sua dama por inteiro
Seja lá como for
Há de fazer do corpo uma morada
Onde clausure-se a mulher amada
E postar-se de fora com uma espada
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor direito
Não basta apenas ser um bom sujeito
É preciso também ter muito peito
Peito de remador
É sempre necessário ter em vista
Um crédito de rosas no florista
Muito mais, muito mais que na modista
Para viver um grande amor
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas, comidinhas
Para depois do amor
E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha
Para o seu grande amor?
Para viver um grande amor, é muito
Muito importante viver sempre junto
E até ser, se possível, um só defunto
Pra não morrer de dor
É preciso um cuidado permanente
Não só com o corpo, mas também com a mente
Pois qualquer "baixo" seu a amada sente
E esfria um pouco o amor
Há de ser bem cortês sem cortesia
Doce e conciliador sem covardia
Saber ganhar dinheiro com poesia
Não ser um ganhador
Mas tudo isso não adianta nada
Se nesta selva escura e desvairada
Não se souber achar a grande amada
Para viver um grande amor! "
Vinícius de Moraes

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Legítima Proteção...


Nesses últimos dias, venho vivendo um período que a inspiração simplesmente não aparece. Eu posso fazer força, posso ouvir todas as músicas que mexem comigo, posso ver todos os filmes com as mais bonitas e marcantes histórias...mas mesmo assim a danada não chega. Mas mesmo sem as devidas condições de escrever, venho até aqui para prestar minha legítima proteção ao romantismo. Segundo fontes fidedignas, pessoas estão dizendo que o romantismo, o amor está ficando clichê, maçante, meloso, insuportável e, acreditem, que está acabando. Com os primeiro argumentos, sem a devida dosagem, eu concordo plenamente. Mas ao último, pro inferno os que realmente acham isso. É realmente muito triste e complicado ouvir e ler pessoas falarem e desprezarem assim de uma das coisas mais bonitas e que mantém seu coração vivo e pulsando à toda...O AMOR. Sem amor, não há vida. Nosso corpo é como uma planta. Sem uma dose de romantismo e amor, vamos murchando, murchando e murchando até morrer. A paixão ardente que vem antes do amor verdadeiro é a nossa água que nos nutre e nos mantém em pé, vivendo cada dia como se fosse o último. Amor pode ser uma coisa clichê, maçante às vezes e até meloso...mas ele nunca acabará. Enquanto eu estiver respirando plenamente, com todas minhas funções fisiológicas perfeitas e com os olhos abertos, ou seja, vivo...eu não deixarei que isso aconteça. O romantismo e o amor nunca deixarão de existir.

domingo, 19 de setembro de 2010

Eu não me canso...


Eu não faço porque você me pede...eu faço porque me faz sentir bem. Não tem como escapar, chega a ser inevitável. Mas está longe de ser ruim! Você é a estrela que mais brilha no meu céu e que chega a ofuscar a luz solar em plena manhã. Você é a música com a melodia mais marcante e a letra mais emocionante. Você é um oásis em pleno Saara, é o perfume que qualquer flor almeja ter. É o cheiro gostoso de mato pela manhã depois de uma noite chuvosa. Você é a lua cheia que sempre vem iluminar as noites mais escuras, provendo luz e segurança. É quem me faz voltar a ser menino e rir em qualquer momento de crise. É quem pegou meu coração, fincou raízes e chama de lar.
Eu não me canso de lhe ter como minha principal e mais bela inspiração.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Por onde andas?


Outro dia me perguntaram: "E aí, André? Como vai o coração?". E eu respondi, claro, de maneira debochada: "Ah...vai bem, uai. Batendo...bombeando sangue pro corpo todo...". Então veio outra pergunta: "Não, André...você me entendeu, né? Como vai seu coração?".

Então eu parei...parecia que uma paralisia momentânea e muito forte atingiu meu corpo e minha mente...e eu comecei a pensar e pensar e pensar. Pensei em todos os momentos lindos e maravilhosos que se foram e em todos os momentos que ainda, só Deus sabe, estão por vir. Pensei na playlist mental que eu fiz pra ela, com todas as músicas que eu ouço e que tocam fundo na minha alma. Pensei em todos os filmes que eu assisti e que imediatamente ela veio à minha cabeça. Pensei em todos as horas conjuntas que eu passei sentado num banco de pedra duma praça e que parecia que eu estava na maciez das nuvens. Pensei em todas as bocas que eu beijei nos últimos meses e que não tinham o doce mel e em todos os abraços que eu dei que não eram fofos e confortáveis. Pensei nas juras, promessas, e sorrisos. Pensei na alegria gerada e na felicidade estampada no rosto. Pensei em tudo que eu podia pensar... e depois de tanto pensar, e de tantas lágrimas escorridas nesse meio tempo, eu respondi sem precisar pensar um segundo sequer e sem pestanejar: "Olha...eu não tenho a mínima idéia de como está meu coração...porque ele não está comigo. Ele está com ela! E é só dela."

domingo, 12 de setembro de 2010

Tá tudo errado...


É isso aí! Você é solteiro e precisa aproveitar! Você se prepara pra sair, toma aquele banho caprichado, coloca sua melhor roupa, seu melhor sapato e no final, o seu perfume mais cheiroso e caro e fala olhando pro espelho: "É hoje".
Você se diverte, dança, sai pra "caçar"...pega uma, duas, três, quatro e se possível, cinco na mesma noite e não se importa com qualquer consequência desses atos...toma todas e mistura o que pode...cerveja, depois cachaça, tequila, whiskey com energético e no final aquela vodka pra finalizar. Passa mal, mas valeu a pena. Você ri a noite toda e pensa que foi a noite da sua vida. Você consegue intercalar a faculdade com as suas saídas aos butecos perto de lá, e ainda todo final de semana é a mesma rotina de festa, boate e barzinho.
Mas vai chegando uma hora que no meio de tudo, você simplesmente trava. Você fica paralisado e pensa profundamente e chega a uma conclusão única e dolorida: "Tá tudo errado!". Você começa a não se vestir tão bem, escolhe um tênis qualquer e o perfume é o primeiro que passa perante suas vistas. No espelho, dá só uma espiada pra ver se não tem nada fora do lugar e vai embora. Ao invés de cinco, o número simplesmente cai pra um ou zero...porque aquilo não tem a menor graça. Você olha pra bebida e ao invés de beber pra aproveitar, você bebe pra aguentar ficar naquele lugar mais tempo do que a vontade manda. Você não ri mais com a mesma frequência e aquela boate e aquele buteco já não lhe atrai mais.
Nas semanas seguintes você começa a ficar desanimado e sem a mínima vontade de sair...mas o faz para não ficar a noite inteira sentado na frente do computador. Mas aí cai a ficha e você percebe que o que realmente fazia você ser feliz de verdade, já se foi. Você vai ao cinema e assiste ao filme que queria assistir com ela e olha pra cadeira ao lado, ou vazia, ou com um amigo seu e bate aquele aperto no coração. Você pode ter a vida mais animada do mundo, ter todas as mulheres aos seus pés e as melhores boates pra ir, mas nada vai se comparar a um dia com ela. E por mais que isso soa errado, você trocaria tudo imediatamente por pelo menos 2 minutos com ela. Você trocaria seus amigos, trocaria sua vida social...porque é o iria te fazer feliz. Você não pode falar o nome dela, que já vem um ar de reprovação ao seu redor...mas isso não importa, porque é ela que te faz feliz, que te faz rir atoa e sozinho e é ela que te faz chorar escondido para que ninguém veja. Aí você percebe que, o amor dentro do seu coração não morreu e não vai morrer e podem passar anos, décadas...seu coração vai estar sempre ocupado. Busque a felicidade...busque o amor de sua vida....pois só ela pode lhe fazer feliz.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Voltei...mas ele ficou por lá!


Estou de volta ao Brasil. Foi uma viagem maravilhosa! A Europa é um continente simplesmente maravilhoso. Cheio dos encantos romanos misturados com os povos bárbaros que alí habitam desde o começo dos tempos! Foi tudo perfeito. Conheci países que sonhava conhecer a tempos, como a França, Alemanha, Itália, Portugal, Holanda, Bélgica, Rússia, Inglaterra e Espanha. Vi de todos os tipos, raças e credos. Um continente assolado pela Segunda Guerra mundial e que conseguiu se levantar com majestade.

Pra pegar o avião foi um tormento. Primeiro eu tinha que pegar uma conexão até o Rio de Janeiro pra aí sim pegar o avião para Paris. Demorou muito mas enfim, consegui. Peguei o vôo da Air France pra "Cidade Luz" e depois de cansativas 14 horas dentro de um avião, cheguei. Consegui pegar um taxi até meu Hotel, que ficava em Les Halles, fiz o Check-in e fui fazer meu passeio. Conheci tudo! O arco do triunfo, Torre Eiffel, a Champs-Élysées...tudo! Passei uma semana só passeando por lá e assim, embarquei para a Itália. Cidade de Veneza...a cidade mais incrível do mundo. Quando você entra lá, parece que você voltou ao tempo. Os encantos de uma cidade tombada e carregada de história é simplesmente fascinante. Principalmente com sua fenomenal Piazza de San Marco e as gôndolas passeando entre seus canais alagados. Alemanha é um país bonito, mas não gostei muito. Então vou deixar pra falar só dos lugares que mais me chamaram a atenção. Holanda e sua cidade-loucura chamada Amsterdã com a droga liberada, prostituição self-service e as holandesas, Inglaterra com sua exuberância e magnitude e sua mão inglesa simplesmente me deixaram hipnotizado. É um bom lugar pra se morar. Bélgica e suas cervejas artesanais e Portugal e sua ligação com nosso querido Brasil. Depois de todos esse lugares, minha viagem estava no fim, infelizmente. Precisava voltar pra Paris pra poder voltar pro Brasil.

Cheguei e fui direto pro Hotel, pois precisava arrumar as malas. Depois disso fui direto para o café de frente ao hotel e estava esperando o tempo passa para ir pra cama. Notei que o hotel estava em obras e uma voz imponente e ao mesmo tempo muito doce dava ordem aos peões. Falava num francês com o sotaque bem carregado, mas que dava para se entender perfeitamente. Eu a vi lá de cima, pois, por mais cego que o sujeito seja, era impossível não notar aquela perfeição descendo o elevador da obra. Ela estava vestindo um terno feminino bem elegante e um capacete de proteção da cor rosa. Tinha uns cabelos bem cumpridos e escuros e dois olhos bem escuros, dando a perceber que ela não era de Paris, além do seu sotaque carregado. O que mais impressionava não era o fato dela ser uma mulher e estar mandando em todos na obra, mas sim, que ela pedia de uma maneira que todos gostavam dela, e faziam parecer que, trabalhar com ela, seria um prazer. Além das atribuições físicas, vi que ela era vaidosa, porém bem esquecida. Tirava o capacete pra poder arrumar o cabelo, mas sempre esquecia de colocá-lo de volta. Não sabia onde colocava a trena nem o metro de carpinteiro e sempre tinha uma chave de fenda que sumia no meio dos tijolos. Mas não importava, porque no resto, ela era perfeita. Bonita, atenciosa e uma excelente engenheira, pois o hotel estava ficando lindo.

Depois de ter essa visão dos céus, eu precisava saber mais sobre ela. Fui até o gerente do hotel e perguntei quem era a engenheira-chefe da obra. Ele me disse que o nove dela é Vida Balisteas e que ela e sua familia vieram de um país do leste europeu chamado Lituânia e que deviam fazer mais ou menos 14 anos que ele estavam em Paris. Então ela já está lá a um bom tempo. Agradeci e fui pro meu quarto arranjar um jeito de adiar minha viagem de volta pra poder conhecer mais essa mulher que tanto me prendeu a atenção. Corri pra minha mala, peguei minhas passagens e liguei pra cia aérea e consegui adiar a volta por mais 2 dias pagando uma multa simbólica (porém cara), mas que valeria a pena. Tirei da minha mala o meu melhor terno que tinha comprado só pra viagem e desci até o local da obra e, num total improviso, abordei a bela engenheira e a convenci de jantar comigo àquela noite. Fiquei espantado por ela ter aceitado na hora, mas é o que todos dizem: Se a vida lhe dá limões, faça uma limonada, não é verdade? Ela saiu da obra, tomou banho por lá mesmo e estava incrivelmente linda. Com um vestido preto que combinava perfeitamente com seus olhos e a cor do seu cabelo. O recepcionista do hotel me indicou um restaurante perto dalí, cujo nome era " Au Pied de Cochon", que traduzindo, é "O pé de porco". É um dos melhores restaurantes de Paris, então sairia bem caro, mas com certeza valeria a pena pagar cada centavo. Jantamos e ficamos conversando sobre a vida, conheci a sua história, ela me contou porque saiu de sua terra natal, com problemas com a Mafia local e a busca por uma vida melhor. Depois da conversa, ela me disse que precisava ir embora, por teria que trabalhar cedo no dia seguinte e que acordar cedo não era com ela. Eu a acompanhei até sua residência e insisti para que a gente saísse no outro dia e para a minha felicidade, ela aceitou.

Naquela noite, os meus sonhos só continham imagens dela. Primeiro eu só a via com seu capacete rosa pra lá e pra cá, e depois eu a via à minha frente com seus olhos hipnotizantes e seu sorriso maravilhoso que se abria a cada gracinha proposital que eu fazia. Resumindo, essa mulher ficou e não saiu mais dos meus sonhos. Eu precisava vê-la denovo.

No dia seguinte, tive a grata surpresa de saber que ela só trabalharia na parte da manhã, então ela me chamou no meu quarto às 15hrs da tarde, que era o horário que ela tinha saído do trabalho e me convidou para fazer um tour por Paris. Eu já tinha feito, mas claro que eu não falaria isso. Aliás, fazer um outro tour com ela seria mais do que um prazer. Fomos até o arco do triunfo, Champs-Élysées e por ultimo, fomos até a Torre Eiffel. Subimos até lá em cima e conseguimos observar Paris por completo. Foi uma cena maravilhosa. Uma cidade lindo com uma mulher linda ao meu lado. Ela começou a sentir frio e eu emprestei o meu agasalho para ela, mas ela continuou com frio, então eu a abracei e antes de pensar, a gente já estava se beijando. Naquela hora, eu já estava marcado, meu coração estava marcado. Era um caminho sem volta e eu pensei comigo: "Já era". Não queria mais voltar para o Brasil. A viagem que eu teria que fazer nesse dia à noite estava ficando indigesta. Minha vontade imediata era de ficar lá com ela e fôdasse a minha vida no Brasil. Eu podia facilmente construir uma nova lá. Planejar minha vida com ela não era nada difícil e só naqueles minutos de beijo, eu já sabia exatamente como iria ser, onde iria ser e quando iria ser. Mas era impossível....naquela hora era impossível. Eu precisava voltar.

Fomos até o aeroporto. Despachei minha bagagem e fiz o check-in. Vi no relógio que eu ainda tinha mais uma hora para aproveitar. Ficamos abraçados esse tempo todo e eu pedia pra Deus que o tempo, só daquela vez, não andasse em sentido horário, mas sim em sentido anti-horário. Infelizmente isso era impossível e a hora chegou. Fomos até o portão de embarque eu prometi que eu iria voltar. Que ela me esperasse e tivesse paciência...mas que eu iria voltar, ou a levaria comigo para o Brasil. Passei pelo portão de embarque e foi a maior dor da minha vida. Uma dor que parecia que eu nunca mais a veria denovo e essa era uma possibilidade, mas que eu lutaria para que não acontecesse. Ninguém manda no coração. Não temos um botão de "On" e "Off". Eu estou amando aquela mulher e eu a quero junto comigo e eu a terei, nem pra que isso eu mova meio mundo. Eu voltei para o Brasil, mas meu coração ficou por lá! Quem inventou a distância, não sabe a dor que ela traz. Me espere, "minha Vida". Eu tô chegando...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Um 'cadin' de prosa...


Após bater aquele mega prato de feijão tropeiro com arroz soltinho, carne de panela e uma mandioca frita, o destino certo era certamente ir até àquela rede que estava flertando comigo desde antes do almoço. Deitei e logo na rede ao lado tava meu primo Raphael, que também tinha repetido o almoço umas 2 vezes, pitando um cigarro de palha. Minha vontade era de dormir profundamente, pois de acordo com a inércia, depois do almoço, o mais normal seria dormir até o vigésimo sono...mas não foi o que aconteceu. Assim que eu sentei à rede, Raphael desandou à falar:

--André, deixa eu te perguntar uma coisa...você já se sentiu flutuar desprezando a lei da gravidade?
-Que isso Raphael, 'o cê' tá louco?
--Hein, André...responde aí!? Você já se pegou levitando até lááááá no alto?
-Já...
--E você também já suou frio, ficou com a barriga doendo, com a boca seca e as mãos pingando suor?
-Eu já...
--E você já se viu tendo os mesmos sonhos todas as noites, sem pular nenhuma delas?
-Claro, uai...
--Aí quando te acordam desses sonhos, você fica puto e tenta voltar pra esse sonho?
-Toda hora acontece isso...
--E quando você ouve uma música bonita, você fica todo balançado?
-Afirmativo...
--Sem falar nos filme que, quando a história é bonita, você chora igual uma mulherzinha?
-Chorar igual mulherzinha não, mas tá...isso aí...
--E quando você tem um segredo que você não quer contar pra ninguém, nem pros seus pais?
-Segredo importante esse, né?
--E quando você tá tomando banho, e você se certifica de tá bem limpinho e bem cheiroso?
-Mas eu sempre fui cheiroso...
--E aí você não se importa de abrir aquele perfume caro que você sabe que é pra uma coisa bem maior.
-Sô pobre, tenho perfume caro não...só um Boticário e olhe lá!!
--E quando você planeja o futuro sem pensar no presente?
-Sei como que é...
--E quando ela entra na sua visão e tudo em volta fica preto e um feixe de luz à ilumina como se ela fosse uma estrela?
-Opa...
--E quando, sozinho, o tempo passa sem a mínima graça ou entusiasmo?
-Que horas são??
--E quando o fim de semana custa a chegar, mas quando chega, custa a passa?
-Hoje ainda é sábado, né?
--E quando você olha pra lua e vê um coelho lá?
-Tadinho, vai ficar sem ar....
--E quando você olha pro relógio, e toda hora que você olha, sempre tá mais ou menos assim: 13:13, 20:20, 00:00
-Tem alguém pensando em você...
--E quando você se pega pensando nela nas horas mais atípicas?
-Só nao vai pensar na hora errada hein!
--Pois é, cara...eu sinto isso tudo aí! Acho que eu to amando!
-Não, Raphael...você não ta amando...você tá apaixonado...só isso
-Ah é? Como você tem certeza disso?
-Porque eu não estou só flutuando...já estou na imensidão do espaço, já estou congelado, minha dor de barriga já virou hérnia, minha boca virou um deserto e minhas mãos são puras cataratas. Meus sonhos já viraram rotina, e eu sempre volto pra eles na noite seguinte, Quando toca aquela música, eu não fico balançado...eu simplesmente desabo. Chorar em filme bonito é coisa de macho igual eu! Tenho segredos que até Deus duvida, sou garoto propaganda dos sabonetes Lux e dos perfumes Boticário de tão limpo e cheiroso que eu sou e meu futuro já briga com meu presente. Quando ela entra na minha visão, ela vira, de imediato, uma estrela de cinema de Hollywood e a mulher mais bonita do mundo, o tempo aqui não passa, simplesmente arrasta igual tartaruga. Meu fim de semana demora quase 1 mês pra chegar, e quando chega, demora outro pra acabar. Lá na lua, o coelho que você vê, já construiu sua toca e deu milhares e milhares de cria, sem falar que eu vivo no mundo das horas iguais: Agora, por exemplo, são 15:15. Eu penso nela até fazendo a barba...isso é estar amando. Eu estou amando.