
Estou de volta ao Brasil. Foi uma viagem maravilhosa! A Europa é um continente simplesmente maravilhoso. Cheio dos encantos romanos misturados com os povos bárbaros que alí habitam desde o começo dos tempos! Foi tudo perfeito. Conheci países que sonhava conhecer a tempos, como a França, Alemanha, Itália, Portugal, Holanda, Bélgica, Rússia, Inglaterra e Espanha. Vi de todos os tipos, raças e credos. Um continente assolado pela Segunda Guerra mundial e que conseguiu se levantar com majestade.
Pra pegar o avião foi um tormento. Primeiro eu tinha que pegar uma conexão até o Rio de Janeiro pra aí sim pegar o avião para Paris. Demorou muito mas enfim, consegui. Peguei o vôo da Air France pra "Cidade Luz" e depois de cansativas 14 horas dentro de um avião, cheguei. Consegui pegar um taxi até meu Hotel, que ficava em Les Halles, fiz o Check-in e fui fazer meu passeio. Conheci tudo! O arco do triunfo, Torre Eiffel, a Champs-Élysées...tudo! Passei uma semana só passeando por lá e assim, embarquei para a Itália. Cidade de Veneza...a cidade mais incrível do mundo. Quando você entra lá, parece que você voltou ao tempo. Os encantos de uma cidade tombada e carregada de história é simplesmente fascinante. Principalmente com sua fenomenal Piazza de San Marco e as gôndolas passeando entre seus canais alagados. Alemanha é um país bonito, mas não gostei muito. Então vou deixar pra falar só dos lugares que mais me chamaram a atenção. Holanda e sua cidade-loucura chamada Amsterdã com a droga liberada, prostituição self-service e as holandesas, Inglaterra com sua exuberância e magnitude e sua mão inglesa simplesmente me deixaram hipnotizado. É um bom lugar pra se morar. Bélgica e suas cervejas artesanais e Portugal e sua ligação com nosso querido Brasil. Depois de todos esse lugares, minha viagem estava no fim, infelizmente. Precisava voltar pra Paris pra poder voltar pro Brasil.
Cheguei e fui direto pro Hotel, pois precisava arrumar as malas. Depois disso fui direto para o café de frente ao hotel e estava esperando o tempo passa para ir pra cama. Notei que o hotel estava em obras e uma voz imponente e ao mesmo tempo muito doce dava ordem aos peões. Falava num francês com o sotaque bem carregado, mas que dava para se entender perfeitamente. Eu a vi lá de cima, pois, por mais cego que o sujeito seja, era impossível não notar aquela perfeição descendo o elevador da obra. Ela estava vestindo um terno feminino bem elegante e um capacete de proteção da cor rosa. Tinha uns cabelos bem cumpridos e escuros e dois olhos bem escuros, dando a perceber que ela não era de Paris, além do seu sotaque carregado. O que mais impressionava não era o fato dela ser uma mulher e estar mandando em todos na obra, mas sim, que ela pedia de uma maneira que todos gostavam dela, e faziam parecer que, trabalhar com ela, seria um prazer. Além das atribuições físicas, vi que ela era vaidosa, porém bem esquecida. Tirava o capacete pra poder arrumar o cabelo, mas sempre esquecia de colocá-lo de volta. Não sabia onde colocava a trena nem o metro de carpinteiro e sempre tinha uma chave de fenda que sumia no meio dos tijolos. Mas não importava, porque no resto, ela era perfeita. Bonita, atenciosa e uma excelente engenheira, pois o hotel estava ficando lindo.
Depois de ter essa visão dos céus, eu precisava saber mais sobre ela. Fui até o gerente do hotel e perguntei quem era a engenheira-chefe da obra. Ele me disse que o nove dela é Vida Balisteas e que ela e sua familia vieram de um país do leste europeu chamado Lituânia e que deviam fazer mais ou menos 14 anos que ele estavam em Paris. Então ela já está lá a um bom tempo. Agradeci e fui pro meu quarto arranjar um jeito de adiar minha viagem de volta pra poder conhecer mais essa mulher que tanto me prendeu a atenção. Corri pra minha mala, peguei minhas passagens e liguei pra cia aérea e consegui adiar a volta por mais 2 dias pagando uma multa simbólica (porém cara), mas que valeria a pena. Tirei da minha mala o meu melhor terno que tinha comprado só pra viagem e desci até o local da obra e, num total improviso, abordei a bela engenheira e a convenci de jantar comigo àquela noite. Fiquei espantado por ela ter aceitado na hora, mas é o que todos dizem: Se a vida lhe dá limões, faça uma limonada, não é verdade? Ela saiu da obra, tomou banho por lá mesmo e estava incrivelmente linda. Com um vestido preto que combinava perfeitamente com seus olhos e a cor do seu cabelo. O recepcionista do hotel me indicou um restaurante perto dalí, cujo nome era " Au Pied de Cochon", que traduzindo, é "O pé de porco". É um dos melhores restaurantes de Paris, então sairia bem caro, mas com certeza valeria a pena pagar cada centavo. Jantamos e ficamos conversando sobre a vida, conheci a sua história, ela me contou porque saiu de sua terra natal, com problemas com a Mafia local e a busca por uma vida melhor. Depois da conversa, ela me disse que precisava ir embora, por teria que trabalhar cedo no dia seguinte e que acordar cedo não era com ela. Eu a acompanhei até sua residência e insisti para que a gente saísse no outro dia e para a minha felicidade, ela aceitou.
Naquela noite, os meus sonhos só continham imagens dela. Primeiro eu só a via com seu capacete rosa pra lá e pra cá, e depois eu a via à minha frente com seus olhos hipnotizantes e seu sorriso maravilhoso que se abria a cada gracinha proposital que eu fazia. Resumindo, essa mulher ficou e não saiu mais dos meus sonhos. Eu precisava vê-la denovo.
No dia seguinte, tive a grata surpresa de saber que ela só trabalharia na parte da manhã, então ela me chamou no meu quarto às 15hrs da tarde, que era o horário que ela tinha saído do trabalho e me convidou para fazer um tour por Paris. Eu já tinha feito, mas claro que eu não falaria isso. Aliás, fazer um outro tour com ela seria mais do que um prazer. Fomos até o arco do triunfo, Champs-Élysées e por ultimo, fomos até a Torre Eiffel. Subimos até lá em cima e conseguimos observar Paris por completo. Foi uma cena maravilhosa. Uma cidade lindo com uma mulher linda ao meu lado. Ela começou a sentir frio e eu emprestei o meu agasalho para ela, mas ela continuou com frio, então eu a abracei e antes de pensar, a gente já estava se beijando. Naquela hora, eu já estava marcado, meu coração estava marcado. Era um caminho sem volta e eu pensei comigo: "Já era". Não queria mais voltar para o Brasil. A viagem que eu teria que fazer nesse dia à noite estava ficando indigesta. Minha vontade imediata era de ficar lá com ela e fôdasse a minha vida no Brasil. Eu podia facilmente construir uma nova lá. Planejar minha vida com ela não era nada difícil e só naqueles minutos de beijo, eu já sabia exatamente como iria ser, onde iria ser e quando iria ser. Mas era impossível....naquela hora era impossível. Eu precisava voltar.
Fomos até o aeroporto. Despachei minha bagagem e fiz o check-in. Vi no relógio que eu ainda tinha mais uma hora para aproveitar. Ficamos abraçados esse tempo todo e eu pedia pra Deus que o tempo, só daquela vez, não andasse em sentido horário, mas sim em sentido anti-horário. Infelizmente isso era impossível e a hora chegou. Fomos até o portão de embarque eu prometi que eu iria voltar. Que ela me esperasse e tivesse paciência...mas que eu iria voltar, ou a levaria comigo para o Brasil. Passei pelo portão de embarque e foi a maior dor da minha vida. Uma dor que parecia que eu nunca mais a veria denovo e essa era uma possibilidade, mas que eu lutaria para que não acontecesse. Ninguém manda no coração. Não temos um botão de "On" e "Off". Eu estou amando aquela mulher e eu a quero junto comigo e eu a terei, nem pra que isso eu mova meio mundo. Eu voltei para o Brasil, mas meu coração ficou por lá! Quem inventou a distância, não sabe a dor que ela traz. Me espere, "minha Vida". Eu tô chegando...
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