quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Perdi...

Te perdi...
Eu sou a criança que perdeu o aniversário, a páscoa, o dia das crianças e o natal...
Eu sou o bebê que perdeu a chupeta e ainda sujou a frauda...
Eu sou a criança pobre que perdeu a única oportunidade de comer...
Eu sou o pai de família que perdeu o emprego e assim o ganha-pão de todo dia...
Te perdi...
Eu sou o adolescente que perdeu a suposta independência e rebeldia...
Eu sou o padeiro que esqueceu a receita do pão perfeito de toda manhã...
Eu sou o cachorro que perdeu o osso e não sabe onde enterrou...
Eu sou o cristão que perdeu a bíblia, o mulçumano que perdeu o corão e o judeu que perdeu o torá...
Eu sou o ventriloquista que perdeu o seu boneco...
Te perdi...
Eu sou o policial que perdeu a coragem, o dever de proteger e sua arma...
Eu sou o coração que perdeu as batidas...
Eu sou o pulmão que perdeu o ar...
Eu sou a boca que perdeu os dentes...
Eu sou a metamorfose que deixou de ser ambulante...
Eu sou eu sem ela...
Eu sou só eu...
Te perdi...
E por ser impressionante, perdi a esperança...mas não perdi a fé...
Eu sou só eu, só eu e minha fé.

Um comentário:

Camila Paier disse...

E como é triste a perda, né, guri? Eu te entendo, assim como o teu sofrimento, e todas as figuras de linguagem que tu empregaste aí. O bom é que depois da perda, vem o vazio, e logo depois, vida nova! Tim tim!
Um beijo